Focus Groups em Design Instrucional

Focus Groups e cuida­dos para evi­tar situ­ações desagradáveis e resul­ta­dos incorretos

Focus Groups ou Gru­pos Focais pos­si­bili­tam cole­tar a opinião do público sobre um assunto em par­tic­u­lar — uma neces­si­dade con­stante para diver­sas áreas, como Mar­ket­ing e Recur­sos Humanos. Prin­ci­pal­mente durante a fase de Análise e Plane­ja­mento, os Focus Groups pare­cem uma exce­lente alter­na­tiva para ouvir a opinião de rep­re­sen­tantes da audiên­cia sobre o con­teúdo a ser apren­dido, difi­cul­dades, prefer­ên­cias e etc.

Como preparar-se para con­duzir Focus Groups:

1. Planeje a a lista de per­gun­tas
2. Defina quem será o mod­er­ador
3. Crie um ambi­ente con­fortável
4. Man­tenha uma mente aberta
5. Dê autono­mia aos par­tic­i­pantes
6. Apoie, mas mantenha-se neu­tro
7. Faça uma per­gunta de cada vez

Tenha em mente há várias com­pli­cações envolvi­das no uso de Focus Groups. O primeiro desafio é sele­cionar pes­soas que real­mente rep­re­sen­tem a pop­u­lação a ser ouvida. De nada adi­anta fazer um Focus Group de alunos de duas ou três salas de aula e aplicar as con­clusões a um pro­grama válido para todas as tur­mas de uma insti­tu­ição, seja ela uma empresa ou uma uni­ver­si­dade. O uso de infor­mações que não rep­re­sen­tam a pop­u­lação com um todo pode colo­car todo o pro­grama em risco. Empre­sas de mar­ket­ing nor­mal­mente ofer­e­cem algo em troca da par­tic­i­pação (brindes ou rec­om­pen­sas finan­ceiras), mas nem sem­pre isso é pos­sível ou ideal, já que o uso de rec­om­pen­sas pode incen­ti­var opiniões parciais.

Ainda que se asse­gure que os par­tic­i­pantes do Grupo Focal pertençam a todas as áreas e rep­re­sen­tem a pop­u­lação total, não se pode descar­tar o fato de que algu­mas pes­soas são mais extro­ver­tidas que out­ras. Susan Wein­schenk é PhD em psi­colo­gia e explica em seu livro “100 Things Every Designer Needs to Know About Peo­ple” (100 coisas que todo designer dev­e­ria saber sobre pes­soas) que nem tudo que é apre­sen­tado por um grupo reflete a opinião de todo o grupo, pois um par­tic­i­pante dom­i­nante pode monop­o­lizar a dis­cussão e influ­en­ciar as demais pes­soas a pen­sarem como ele. Infor­mações pre­ciosas são per­di­das em situ­ações como essa, pois mem­bros mais intro­ver­tidos ten­derão a par­tic­i­par menos e não expor todas as suas visões sobre o assunto.

Outra situ­ação inde­se­jável em Gru­pos Focais ocorre quando os par­tic­i­pantes já estão vivendo um momento de inse­gu­rança e ten­são e aproveitam a opor­tu­nidade para “desaba­far” em vez de concentrar-se no assunto proposto.

Emb­ora os Gru­pos Focais ten­ham seu valor, é impor­tante man­ter em mente que em grande parte dos casos alter­na­ti­vas como entre­vis­tas indi­vid­u­ais ou pesquisas podem ser mais seguras e efi­cazes na coleta de pon­tos de vista.

Se con­sid­er­a­dos todos os prós e con­tras dos Gru­pos Focais essa ainda for a mel­hor opção, alguns cuida­dos podem ser toma­dos para evi­tar os prob­le­mas mais comuns:

1. Par­tic­i­pantes: Sele­cionar uma amostra rep­re­sen­ta­tiva do público geral do pro­grama e que sejam rel­e­vantes para o assunto que está em “foco”. Garan­tir que o número de par­tic­i­pantes seja “geren­ciável”. Não há regra, mas tipi­ca­mente o tamanho do grupo varia entre 8 a 12 participantes.

2. Facil­i­ta­dor: Con­tar com um facil­i­ta­dor com exper­iên­cia em Focus Groups. Esse profis­sional deve ser capaz de iden­ti­ficar quando a dis­cussão não está sendo pro­du­tiva e de redi­re­cionar a con­versa. Ele deve tra­bal­har em con­junto com o “tomador de notas” garan­ti­ndo que pon­tos impor­tantes não deixem de ser registrados.

3. Plane­ja­mento: Plane­jar a exe­cução em detalhe:

- Criar instruções claras aos par­tic­i­pantes, apre­sen­tar essas instruções ver­bal­mente para garan­tir que não há dúvi­das e man­ter a lista de instruções afix­adas de forma visível durante toda a duração do grupo focal. Incluir: regras de con­duta, tempo de duração, tópi­cos a serem abor­da­dos.
– Redi­gir cuida­dosa­mente as per­gun­tas a serem uti­lizadas. Incluir: per­gun­tas de aque­c­i­mento mais aber­tas no iní­cio e “per­gun­tas foco” mais dire­tas que cap­turem as respostas real­mente impor­tantes como resul­tado do grupo focal.
– Encer­ra­mento: um momento para que todas pos­sam con­cluir suas falas, garan­ti­ndo que houve opor­tu­nidade para que todos pos­sam resumir seus pon­tos de vista.

4. Obser­vação: Obser­var as inter­ações com cuidado e não ape­nas reg­is­trar o que é dito durante Focus Groups. É impor­tante notar se os par­tic­i­pantes estão sendo influ­en­ci­a­dos uns pelos out­ros, ou se há alguém descon­fortável em par­tic­i­par. Susan Wein­schenk tam­bém sug­ere que cada par­tic­i­pante rap­i­da­mente anote suas opiniões antes das dis­cussões quando ainda não houve nen­huma influên­cia dos demais participantes.

Refer­ên­cias

Bab­bie, Earl R. “The Prac­tice of Social Research”. 2007
Hodell, Chuch “ISD From the Ground Up”. 2011
Lup­ton, Ellen “Graphic Design Think­ing: Beyond Brain­storm­ing. 2011
Wein­schenk, Susan “100 Things Every Designer Needs to Know About Peo­ple”. 2011

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