A principal informação sobre aprendizagem que designers instrucionais conhecem

O Designer Instru­cional sabe que a forma como ele apren­der não é sem­pre a única forma de apren­diza­gem e, por isso, con­segue evi­tar o “mal do conhecimento”.

Espe­cial­is­tas, ou “SME (Sub­ject Mat­ter Experts)”, são uma parte extrema­mente impor­tante na cri­ação de qual­quer exper­iên­cia de apren­diza­gem. São eles que detêm o con­hec­i­mento do tema a ser apren­dido e que dom­i­nam o con­teúdo a ser fornecido aos par­tic­i­pantes. A respon­s­abil­i­dade dos espe­cial­is­tas no tema é tão grande que algu­mas pes­soas tem difi­cul­dade de enten­der qual é a neces­si­dade de um designer instru­cional, se o SME sabe tudo o que pre­cisa ser ensinado.Designer Instrucional

A con­tribuição do designer instru­cional (ainda que seja um profis­sional sem esse título) é indis­pen­sável para o sucesso do processo de apren­dizado, por difer­entes razões. Mas quero me con­cen­trar em uma única infor­mação, que con­sidero a mais impor­tante de todas e que, o designer instru­cional com­preende mel­hor do que ninguém: seu público não é igual a você. Mesmo que essa seja uma declar­ação aparente­mente sim­ples, assim­i­lar suas impli­cações exige exper­iên­cia, empa­tia e preparo. Todos ten­demos a explicar um tema a par­tir de nossa visão atual do assunto, algo inad­e­quado às neces­si­dades de quem está aprendendo.

Chip e Dan Heath, autores de “Made to Stick”, chamam esse fenô­meno de “o mal do con­hec­i­mento”: assim que você aprende algo, é muito difí­cil imag­i­nar como é não saber aquilo.  Por não con­seguirmos recriar a sen­sação de não ter deter­mi­nado con­hec­i­mento ou infor­mação, somos influ­en­ci­a­dos pelo que já sabe­mos. O designer instru­cional pre­cisa garan­tir que a exper­iên­cia de apren­dizado faça sen­tido para um público que não é espe­cial­ista no assunto.

Os autores ofer­e­cem uma forma sim­ples de com­pro­var esse fato: peça a alguém para pen­sar em uma música e ten­tar repro­duzir essa música com bati­das na mesa ou em outro objeto e peça a outra pes­soa para adi­v­in­har, qual é a música escol­hida. Como você pode imag­i­nar, quando esse exper­i­mento foi feito com 120 pes­soas, somente 3 pud­eram iden­ti­ficar a música. Porém, os par­tic­i­pantes haviam pre­visto que as chances de que a música seria adi­v­in­hada seria de 50%. A pes­soa que escol­heu a música con­segue distingui-la clara­mente a par­tir das bati­das que está fazendo, mas essas bati­das são insu­fi­cientes, caso você não tenha a tal música em mente.

Se o “mal do con­hec­i­mento” não exis­tisse e todos fos­sem capazes de lembrar-se exata­mente de como era não saber algo, con­seguiríamos criar exper­iên­cias que repetis­sem nosso próprio processo de apren­dizado. Poderíamos refazer o cam­inho, mas isso ainda não seria sufi­ciente, já que o mesmo processo não pro­duz o mesmo resul­tado para pes­soas difer­entes. Julie Dirk­sen, autora de “Design for How Peo­ple Learn” enfa­tiza a influên­cia dos difer­entes con­tex­tos e exper­iên­cias, além de abor­dar a lim­i­tação dos famosos “Inven­tários de Esti­los de Apren­diza­gem”. Durante o desen­volvi­mento de uma exper­iên­cia de apren­dizado, o designer instru­cional tem condições de bal­ancear diver­sas abor­da­gens do mesmo tema, para garan­tir que as difer­entes neces­si­dades dos par­tic­i­pantes sejam endereçadas.

É pre­ciso lem­brar que, da mesma forma que nen­hum par­tic­i­pante é igual a outro, espe­cial­is­tas tam­bém são difer­entes entre si. Alguns SME’s tem mais exper­iên­cia como treinadores e sen­si­bil­i­dade em relação às neces­si­dades dos par­tic­i­pantes, enquanto out­ros são mais téc­ni­cos e pre­cisam do apoio de um profis­sional com exper­iên­cia em apren­dizado adulto.

O ponto mais impor­tante desta dis­cussão é que cada envolvido tem seu papel na cri­ação de exper­iên­cias de apren­dizado e cabe aos profis­sion­ais de Design Instru­cional aportarem  soluções para os desafios do “mal do con­hec­i­mento” e da diver­si­dade em esti­los de apren­diza­gem. Somente através da colab­o­ração, a dis­ci­plina de Design Instru­cional gan­hará recon­hec­i­mento e, assim, cri­ará mais valor onde for aplicada.

Refer­ên­cias

Dirk­sen, Julie. “Design for How Peo­ple Learn”. 2012
Heath, Chip; Heat, Dan. “Made to Stick: Why Some Ideas Sur­vive and Oth­ers Die”. 2010

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